Da possibilidade da unidade de existência, por Bettina Turner

28/03/2013

Terminada a primeira etapa deste Fomento.  Em desabrochar.  Recapitular os movimentos e guardá-los no registro da existência. Empurrar, alcançar, esticar, organizar, expandir.  Renascer. Ousar o contato, viver a alteridade na confiança da entrega, religar os ligamentos sinapses, rumo ao prazer do assentamento dos ossos, dos fluidos, do corpo, da alma.

 

Antes, eu recém nascida, envolta em cueiros que impedem o livre ser. Embrulhada para aprumar mais rápido. Esta rigidez precocemente forçada e de sentido desconhecido, nivelada pelo instinto básico da sobrevivência, comandou o caminho dos movimentos. A mente fugindo, a alma saindo, o corpo ali, marcando presença, desintegrado do ser.

 

Agora, renascendo, segunda via, novo contexto, ponte, oportunidade.  Mais que isso, apagando os traços duros dos comandos cristalizados, cedendo ao meu peso com resiliência, aguardando com aceitação as novas soluções que o meu todo possa encontrar,  com a aceitação de quem sou. Refazenda. Se antes eu  não gostava de mim, agora isso não importa mais, porque não sei se gosto, porque ainda não sou e sinto um prazeroso frisson diante do eu desconhecido. Até onde meu corpo poderá me trazer?  Até onde meu corpo poderá me levar? Entusiasmo. Com Deus dentro.

 

Ouço uma frase chave:  “Enquanto estamos procurando não estamos lá.”  Entendo. Entendo e me entrego. Mesmo porque de que adianta procurar pelo que não sei, pelo que não sou, pelo que não sinto?  Perceber a mínima parte já faz parte do milagre. Escutar a vibração das células, me render ao pulsar do chão  que impulsiona.  Coração. Co_oração. Antes largada, agora em relação.

 

A  obra de Castañeda é o vapor que exala a inspiração, assim como a fumaça inebriante das fendas do Templo de Delfos soprava aos sentidos da pitonisa o conhecimento mágico. 

 

“A partir do momento em que nascemos, percebemos que há duas partes dentro de nós. Na hora do nascimento e durante um tempo após nascermos, somos todos nagual. Percebemos então que, para funcionar, precisamos de uma contrapartida. Falta o tonal e isso nos dá, desde o início uma sensação de incompletude. Em seguida, o tonal começa a se desenvolver e se torna extremamente importante para o nosso funcionamento, tão importante que ele obscurece o brilho do nagual e o esmaga. A partir do momento em que nos tornamos tonal, não fazemos mais nada além de incrementar aquele antigo sentimento de incompletude, que nos acompanha desde o nascimento, e  que nos diz, constantemente, existir em nós uma outra parte que nos completa”.  (“Tales of Power, 1974, p. 128).

 

Na minha transcriação corpo/palavras/ dança/ palavras/ sangue/ coração/ espreita/ disciplina/ transcendência/, os primeiros registros, pontos soltos no tempo e no espaço, da possibilidade de unidade da existência.

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